O SEMEADOR

 

“Disse Jesus:

Eis que o semeador saiu a semear.

Encheu a mão e lançou as sementes.

Algumas caíram no caminho e tornaram-se alimento para os pardais.

Outras caíram entre os espinhos que sufocaram a semente e o verme a devorou.

Outras caíram em terreno pedregoso; aí não puderam lançar raízes na terra.

Outras caíram em terra excelente e produziram bom fruto em direção ao Céu.

Produziram sessenta em cento e vinte por medida.”

Logion 9 – Evangelho de Tomé

 

Este logion faz lembrar a importância do terreno que recebe a semente. O crescimento do germe divino semeado em cada um de nós depende de nossa maneira de receber. O sentido da palavra varia segundo o ouvido que a escuta.

A semente, isto é, a informação criadora – é a mesma para todos; a variedade dos frutos deve-se ao terreno que a recebe.

 

O caminho simboliza a “vida habitual”, a rua principal com suas atrações. A informação criadora recebida por uma consciência dispersa, distraída, não pode desabrochar, no homem não chega ao íntimo, não habita nossa profundidade; pode-se reduzir o Evangelho a uma conversação de salão, a uma tagarelice, a um produto de consumo ou diversão como outro qualquer..

 

A semente pode, igualmente cair entre os espinhos. O espinheiro simboliza a consciência crítica, analítica que caracteriza certos espíritos contemporâneos e que sufoca a espontaneidade da vida. Aí também, a informação criadora não pode se encarnar e se expandir.

 

O conhecimento de si, mencionado no Evangelho, não é introspecção, auto-análise perpétua que nos inibe e esteriliza. Trata-se de um estado de atenção ao que é – sem julgamento, “sem por que” dizia Meister Eckhart. O verme no meio dos espinhos que ameaça devorar é o narcisismo. A consciência, incessantemente voltada para si mesma, nos impede o próprio movimento do Logos em seu desenvolvimento essencial.

 

O terreno pedregoso no qual a semente não consegue penetrar simboliza na Bíblia a dureza do coração. – “O coração de pedra”, aquele que se fecham que recusa as informações criadoras. A coisa mais grave que nos pode acontecer é “que nosso coração de carne se torne um coração de pedra”. Muitas vezes, somos empedernidos porque temos medo. O próprio corpo se contrai, se fecha, se defende e segrega nos músculos uma estranha couraça. Confunde-se a dureza com força. A dureza exterior oculta a fragilidade ou moleza interior como a carapaça do camarão. Aquele que é sólido interiormente – que tem uma coluna vertebral – não precisa “brincar de durão”; pelo contrário, pode até mesmo mostrar-se terno, vulnerável, e acolher sem receio a informação criadora. Torna-se, assim, uma terra boa.

 

A terra boa é o coração lavrado – esse tema será tomado no Evangelho segundo Tomé. Lavrado pela ascese ou pelas provocações da vida, tornou-se menos empedernido, menos distraído, menos egocentrado. Esse longo trabalho retirou dele os espinhos e as pedras. Daqui em diante, está aberto as essencial e torna-se capaz de escutar e meditar a Palavra de Deus, a informação criadora que murmura em suas veias; então, o bom fruto do Despertar começa a se erguer.”

Jean-Yves Leloup em O Evangelho de Tomé

por: Fatima dos Anjos

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