ESPAÇO ENTRE O QUE ERA E O QUE VIRÁ A SER



Mensagem da Lua Cheia através de Simon & Jennifer
20 de julho de 2016

Conforme chegamos ao fim de uma história, antes de começar nossa nova jornada, há um espaço. Esse é um espaço de conclusões, mas também de começos. Experimenta-se como limitação, mas também possibilidade em conexão com a velha história que está chegando ao fim, e a possibilidade da nova direção que está ainda para ser explorada.

Não é fácil existir na dualidade do espaço entre conclusões e começos, entre o conhecido e o desconhecido, porque precisamos manter a consciência de ambos simultaneamente. Nesse espaço entre mundos, há uma maneira de experimentar este momento de transição de modo respeitosos e gracioso – ao compreender que as limitações enfrentadas são o fim natural e o encerramento de um capítulo. Essa é a forma como as conclusões naturais funcionam; as limitações nos levam para um momento natural de reflexão, para examinar os detalhes de como vocês (e nós) chegamos a este ponto, para obter sabedoria, antes que esse capítulo termine e que o próximo comece. No agora, temos a capacidade de ver todo o ciclo atrás de nós, mas o que está adiante, ainda nos é desconhecido. Portanto, conforme passamos por este ciclo de conclusão, somos solicitados a manter um sentido de auto-mestria, ao nos permitir estar abertos, receptivos e humildes, conforme avançamos para o desconhecido; ser disciplinados, não condicionando o novo ao passado.

Cada experiência potencial está aqui agora, e pode estar cheia de ansiedade e incerteza, mas isso é puramente devido à natureza da mente. Nosso futuro se refere à confiança na mais profunda pulsação da vida, e nosso lugar dentro dela; não viver mais sob estresse do tempo, mas viver com o sincronismo perfeito.

Nas infinitas possibilidades da jornada à frente, as limitações ainda sentidas a partir do ciclo do passado são uma bênção, aliviando-nos neste novo ciclo com um senso de direção e foco, não perdidos nas possibilidades do futuro. É crucial neste momento permanecer em contato com a nossa energia feminina, seguindo o nosso caminho com receptividade e reação, ao permitir a atração da direção natural para liderar o caminho, agindo quando houver necessidade para fazer isso, de modo gracioso e sem forçar. Porque neste novo capítulo, não somos mestres, somos noviços. Mas somos abençoados com a orientação do fluxo natural, sempre nos mantendo no rumo, se formos receptivos e abertos a isso.

Não tenham pressa, porque tudo se revelará no tempo certo. Relaxem e confiem no processo. Observem o Universo trazer_______________.

Bênçãos

Simon & Jennifer

Tradução de Ivete Brito – adavai@me.com–

https://adavai.wordpress.com/2016/07/20/mensagem-matutina-190716/

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DALAI LAMA: CHEGOU A HORA DE UMA ESPIRITUALIDADE E ÉTICA QUE ESTEJAM ALÉM DA RELIGIÃO

Trecho do livro “Beyond Religion” (2011), em que o Dalai Lama explica sua proposta de ética secular — que basicamente é a mesma aqui de nossa Ação para Felicidade, movimento do qual ele é o patrono.

Apesar de avanços tremendos em tantas áreas, hoje há ainda grande sofrimento, e a humanidade continua a enfrentar dificuldades e problemas. Enquanto nas regiões mais prósperas do mundo as pessoas desfrutam de estilos de vida com consumo refinado, ainda há incontáveis milhões de pessoas cujas necessidades básicas não são atendidas. Com o fim da Guerra Fria, a ameaça da destruição nuclear global recuou, mas muitos continuam a enfrentar o sofrimento e tragédia de conflitos armados. Em muitas áreas também, pessoas têm que lidar com problemas ambientais que ameaçam seu sustento ou algo pior. Ao mesmo tempo, muitos outros estão lutando para sobreviver diante da desigualdade, corrupção e injustiça.

Esses problemas não se limitam aos países em desenvolvimento. Nos países mais ricos também há muitas dificuldades, incluindo problemas sociais amplamente disseminados: alcoolismo, abuso de drogas, violência doméstica, desagregação familiar. As pessoas estão preocupadas com seus filhos, sua educação e o que o mundo reserva para eles.

Agora também temos que reconhecer a possibilidade de que nós humanos estamos danificando o planeta de um modo que não terá mais volta, uma ameaça que cria ainda mais medo. E todas as pressões da vida moderna trazem junto estresse, ansiedade, depressão e cada vez mais solidão. Como resultado, em todos lugares que vou, as pessoas estão reclamando. Mesmo eu me pego reclamando de vez em quando!

É bem óbvio que alguma coisa está perigosamente faltando no modo como nós humanos estamos fazendo as coisas. Mas o que é que está faltando? O problema fundamental, acredito, é que em todos os níveis estamos dando atenção demais para os aspectos externos e materiais da vida, enquanto negligenciamos a ética moral e os valores internos.

Por valores internos me refiro às qualidades que todos apreciamos nos outros, e sobre os quais todos temos um instinto natural, herdado em nossa natureza biológica, como animais que sobrevivem e prosperam somente em um ambiente de cuidado com o outro, afeição e bom coração — em uma única palavra: compaixão.

A essência da compaixão é um desejo de aleviar o sofrimento dos outros e promover seu bem-estar. Esse é o princípio espiritual à partir do qual todos os outros valores internos positivos surgem. Todos nós apreciamos nos outros as qualidades internas da gentileza, paciência, tolerância, perdão e generosidade; e do mesmo modo todos temos aversão a expressões de ganância, maldade, ódio e intolerância. Então, a promoção ativa das qualidades internas positivas do coração humano, que surgem de nossa disposição interna em direção à compaixão, e o aprendizado sobre como combater nossas tendências mais destrutivas serão apreciados por todos. E os primeiros beneficiários de tal fortalecimento dos valores internos serão, sem dúvida, nós mesmos. Ignoramos nossas vidas interiores sob nosso próprio risco, e muitos dos maiores problemas que temos hoje no mundo são resultado de tal negligência.

Então, o que faremos? Para onde devemos nos voltar em busca de ajuda? A ciência, apesar de todos os benefícios que trouxe ao nosso mundo externo, ainda não forneceu o embasamento científico para o desenvolvimento das fundações da integridade pessoal — os valores humanos internos básicos que apreciamos nos outros e que, se cultivássemos em nós mesmos, seria ótimo.

Talvez precisemos buscar valores internos na religião, como as pessoas têm feito por milênios? Certamente a religião ajudou milhões de pessoas no passado, ajuda milhões hoje e continuará a ajudar milhões no futuro. Mas, apesar de todos os benefícios ao oferecer orientação moral e significado na vida, no mundo secular atual a religião sozinha não é mais algo adequado como uma base para a ética. Uma razão para isso é que muitas pessoas não mais seguem uma religião em particular.

Outro motivo é que, com as pessoas do mundo se tornando cada vez mais intimamente interconectadas em uma era de globalização e sociedades multiculturais, a ética baseada em uma religião específica teria apelo apenas para alguns de nós; ela não seria importante para todos. No passado, quando as pessoas viviam em relativo isolamento umas das outras — como nós tibetanos vivemos bem felizes por muitos séculos, atrás de nossa muralha de montanhas — o fato de alguns grupos terem uma ética baseada na religião não apresentava nenhuma dificuldade. Hoje, contudo, qualquer resposta para o problema de nossa negligência com os valores humanos, que se baseie em uma religião, jamais será universal, portanto será inadequada.

O que precisamos hoje é uma abordagem para a ética que não dependa da religião e que possa ser igualmente aceitável por crentes e descrentes: uma ética secular.

Essa declaração pode parecer estranha vinda de alguém que desde muito cedo vive como um monge em mantos. No entanto, não vejo nenhuma contradição aqui. Minha fé me força a me esforçar pelo bem e benefício de todos os seres sencientes; e estender-me além de minha própria tradição, em direção às pessoas de outras religiões ou de nenhuma, está totalmente de acordo com isso.

Estou confiante que é tanto possível quanto valioso tentar uma nova abordagem secular para a ética universal. Minha confiança vem da convicção de que todos nós seres humanos basicamente temos uma inclinação ou disposição para o que percebemos como bom. O que quer que façamos, fazemos porque pensamos que haverá algum benefício. Ao mesmo tempo, todos apreciamos a bondade dos outros. Somos todos, por natureza, orientados em direção aos valores humanos básicos do amor e compaixão. Todos preferimos o amor dos outros do que seu ódio. Todos preferimos a generosidade dos outros do que sua mesquinharia. E quem entre nós não prefere tolerância, respeito e perdão por nossas falhas do que intolerância, desrespeito e ressentimento?

Nessa visão, tenho a firme opinião de que temos ao nosso alcance um caminho e um modo para fundamentar valores internos que não contradizem nenhuma tradição religiosa e, ainda assim, de modo crucial, não dependem de religião.

Devo deixar claro que minha intenção não é ditar valores morais. Fazer isso não teria nenhum benefício. Tentar impor princípios morais à partir de fora, impô-los com ordens, jamais será eficaz. Em vez disso, convoco cada um de nós para chegarmos ao nosso próprio entendimento sobre a importância dos valores internos. Porque são esses valores que são a fonte tanto de um mundo eticamente harmonioso, quanto do nível individual da paz de espírito, confiança e felicidade que todos procuramos.

Obviamente que todos as religiões principais do mundo, com sua ênfase no amor, compaixão, paciência, tolerância e perdão, podem e, de fato, promovem valores humanos. Mas a realidade do mundo hoje é que basear a ética na religião não é mais adequado. É por isso que acredito que chegou a hora de encontrarmos uma maneira de pensar sobre espiritualidade e ética que esteja além da religião.

a mudança efetiva da sociedade só virá através do esforço dos indivíduos: uma parte-chave de nossa estratégia para lidar com esses problemas deve ser a educação da próxima geração. … tenho esperança de que chegará o tempo em que possamos tomar como garantido o fato de que as crianças aprenderão, como parte do currículo escolar, sobre o caráter indispensável de valores como amor, compaixão, justiça e perdão.

junte-sePara criarmos esse mundo melhor, portanto, que todos nós — idosos e jovens, não como membros deste ou daquele país, desta ou daquela fé, mas simplesmente como membros desta grande família humana de sete bilhões de pessoas — nos esforçemos juntos com visão, coragem e otimismo. Este é meu humilde apelo.

Dentro da escala temporal do cosmos, a vida humana não é mais que um minúsculo piscar. Cada um de nós é um visitante neste planeta, um convidado, que tem um tempo limitado para ficar. Que tolice maior haveria do que gastar esse curto tempo de modo solitário, infeliz e em conflito com nossos visitantes companheiros? Muito melhor, certamente, é usar nosso curto tempo buscando uma vida significativa, enriquecida pelo sentimento de conexão e serviço para os outros.

Até agora, do século 21 apenas uma década se foi; a maior parte ainda está por vir. É minha esperança que este seja um século de paz e de diálogo — um século em que uma humanidade mais cuidadosa, responsável e compassiva vai emergir. Esta também é minha prece.

FONTE: http://afelicidade.org/2015/12/dalai-lama-espiritualidade-e-etica-alem-da-religiao/

A REVOLUÇÃO DO NOSSO TEMPO É AQUELA DA CONSCIÊNCIA

Se dermos uma olhada nos acontecimentos do nosso mundo, vamos perceber facilmente que vivemos em tempos revolucionários.

A revolução dos nossos dias é, no entanto, completamente diferente de quaisquer outras revoluções na história da humanidade.

Esta revolução não é organizada, a fim de reorganizar o domínio de poderes e formas, de modo a substituir as formas antigas e ultrapassadas com as novas, dinâmicas e vívidas.

 

Esta revolução é capaz de assumir a humanidade além das formas.

 

A revolução do nosso tempo é a revolução da Consciência.

A Consciência, ficou adormecida sob o feitiço de identificação com as formas durante milhares de anos, está lentamente despertando em nossos dias. Há um alarmante aumento cada vez mais poderoso, e o número de pessoas sensíveis à chamada para o despertar está ficando maior e maior.

 

revolução_consciencia

 

Os efeitos desse impulso nos despertam do nosso sonho de identificação com as formas e é sentido por todos. Mas muitos de nós não somos conscientes do que realmente experimentamos;

 

Sentimos que os sucessos realizáveis no mundo são cada vez menos atraente para nós. Reconhecemos atrás de sucessos e fracassos que há algo mais profundo, algo mais profundo em nossa vida.

 

Vemos isso no dia a dia  um número crescente de jovens que questionam a adequação das metas oferecidas pelo ensino social e religioso. Eles sacudiram a poeira tentando guiar-se ao caminho certo, e, como conseqüência, eles são expostos à experiência de vazio e desespero.

 

A Sociedade oferece uma “solução” para o problema, sob a forma de produtos das indústrias de entretenimento e medicamentos para aliviar. Hoje, estas indústrias estão prosperando e se transformando em indústrias extremamente lucrativas. Eles oferecem “ajuda” para os jovens na supressão de medo e no tratamento de outros sintomas superficiais.

 

Há apenas uma porta de entrada que conduz para fora desta situação: e essa porta é o momento presente. Precisamos deslocar o centro de gravidade da nossa vida da periferia para o centro. O que significa isso?

 

A borda é o presente estado de Consciência, em que a esmagadora maioria das pessoas vive. Esse é o estado de se identificar com a mente, o da consciência adormecida.

 

Esse é o estado de perfeita identificação com pensamentos, emoções e desejos, onde buscamos as metas da nossa vida só no mundo das formas, seja através de materiais brutos (que experimentos com os 5 sentidos) ou formas materiais mais sutis(pensamentos, emoções).

 

O motor da nossa existência sobre a borda é a ambição de se tornar algo ou alguém.

 

No ponto central, a consciência desperta, e o mundo interno de silêncio são além da mente. Não se refere ao silêncio forçado interno sobre si mesmo através de várias técnicas de meditação(neste caso, na concentração de fato), mas o indescritível, o vivenciável, vivo no vazio interior.

Nesse ponto, não há nenhum esforço, nenhum desejo e ambição. Este é o estado de abandono perfeito e submissão, submetendo-nos ao momento presente, ao AGORA.

lucidez_momento_presente

A revolução da Consciência está ocorrendo, justamente, agora, no momento presente. Não há estratégias, não há grandes líderes nessa revolução, há apenas heróis que entendem o progresso evolutivo da consciência e estão abertos para permitir que os processos terão seu lugar em si.

 

Fonte: Livro The Revolution of Consciousness: Deconditioning the Programmed Mind – Frank M. Wanderer

http://yogui.co/a-revolucao-do-nosso-tempo-e-a-revolucao-da-conscie…

Endereço desse artigo na internet: http://portalarcoiris.ning.com/group/sabedoriadevidamensagensreflexesepensamentos/forum/topic/show?id=2899738%3ATopic%3A1696201&xgs=1&xg_source=msg_share_topic

10 FRASES BUDISTAS QUE PODEM MUDAR SUA VISÃO DA VIDA

O Budismo é uma das religiões mais antigas ainda praticadas e uma que tem mais seguidores, cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Enquanto alguns preferem se referir ao Budismo mais como uma filosofia de vida do que uma religião.

De uma forma ou de outra, o que tem permitido esta filosofia/religião sobreviver ao longo do tempo e continuar ganhando popularidade são suas mensagens simples e cheias de sabedoria que pode realmente melhorar nossas vidas diárias. Na verdade, não é necessário abraçar o budismo para colher os benefícios que ele pode nos oferecer. Basta manter uma mente aberta e o coração disposto.

1. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

Nós tendemos a pensar que reagimos aos eventos que trazem consigo a semente de tristeza ou da alegria, mas, na verdade, reagimos ao que os fatos significam para nós. Nós só podemos sofrer por aquilo a que demos importância. Portanto, para evitar sofrimento desnecessário, por vezes, apenas um passo para trás, desanexar emocionalmente e ver as coisas de outra perspectiva. É difícil, mas com a prática você aprende. Na verdade, uma outra frase budista nos mostra o caminho: “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos; É fundada em nossos pensamentos e é feito de nossos pensamentos. “

2. Alegrai-vos porque em toda parte é aqui e tudo é agora.

Muitas vezes perdemos a vida enquanto estamos amarrados ao passado ou preocupados com o futuro. No entanto, o budismo nos ensina que temos apenas o aqui e agora. Portanto, devemos aprender a estar totalmente presentes, para desfrutar de cada momento como se fosse o primeiro e o último. Não mergulhar no passado ou sonhar com o futuro, se concentrar no momento presente, porque é onde você vai encontrar as chaves para a felicidade.

3. Tenha cuidado com o exterior, bem como seu interior, porque tudo é um.

Somos uma unidade física e espiritual, mas muitas vezes nos esquecemos. Às vezes nos preocupamos muito sobre como cuidar do corpo e esquecemos a alma, enquanto em outras vezes nos preocupamos muito com  nosso equilíbrio psicológico e negligenciamos aspectos importantes, tais como dieta e exercícios. No entanto, para encontrar um estado de bem-estar verdadeiro é imperativo que a mente e o corpo estejam equilibrados.

4. Melhor usar pantufas do que tentar colocar  tapete no mundo.

Às vezes, ou porque superestimamos nossas forças ou porque não estamos cientes da magnitude da situação, estabelecemos metas que vão além de nossas capacidades. Em seguida, geramos um estresse desnecessário. No entanto, para encontrar a paz interior, é importante estar ciente de nossas forças e nossa dose de recursos, e qualquer caminho tem que começar de nós mesmos, antes de mudarmos o que não gostamos no mundo, mudemos o que não gostamos em nós mesmos.

5. Não ferir os outros com o que causa dor a si mesmo.

Esta é uma das máximas do budismo que, se aplicada ao pé da letra, poderíamos praticamente eliminar todas as leis e preceitos morais do mundo. No entanto, esta frase budista vai além do clássico “não faça aos outros o que você não quer fazer para você“, pois envolve, acima de tudo, uma profunda compreensão de nós mesmos e, uma grande empatia para outros.

6. Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos.

Apesar de não estarmos conscientes disso, o nosso desejo de mais, seja no material ou emocional, é a principal fonte de nossas preocupações e desapontamentos. Quando aprendemos a viver com pouco e aceitando tudo que a vida nos oferece no momento, podemos alcançar uma vida mais equilibrada e reduzir a tensão e stress. Entender que já temos todo necessário para atingir a paz interna e felicidade é um ensinamento que traz tranquilidade na caminhada e evita a ansiedade e desgaste incessante de sempre achar que a felicidade está logo ali na frente, mas nunca aqui.

7. Para entender tudo, é preciso esquecer tudo.

Quando somos pequenos, estamos abertos à aprendizagem, não temos idéias preconcebidas. No entanto, à medida que crescemos nossa mente está cheia de condicionamentos sociais que nos diz como as coisas devem ser, como devemos nos comportar e até mesmo o que pensar. Estamos tão imbuídos nesse contexto que não percebemos que nossa mente se tornou uma caixa muito estreita que nos aprisiona. Então, se você quer mudar e ver as coisas de outra perspectiva, o primeiro passo é se separar das crenças e estereótipos que o mantem amarrado. Neste sentido, uma outra frase budista nos ilumina: “No céu, não há distinção entre o leste e o oeste, são as pessoas que criam essas distinções em sua mente e depois pensam que são verdadeiras“.

8. O ódio não diminui ódio. O ódio diminui com o amor.

Gerar violência, raiva produz ressentimento. É algo que quase nunca aplicamos quando nos envolvemos em discussões nas quais somos guiados por nossas emoções mais negativas, respondemos às críticas com outro comentário e um ataque ainda mais forte. No entanto, o ódio só gera ódio, a única maneira de contrariar o seu efeito é o de proporcionar amor, respondendo com emoções positivas. Não se apaga fogo com mais fogo.

9. Dê, mesmo se você tiver muito pouco para dar.

Esta é uma das mais antigas frases budistas, e algumas pesquisas na área da psicologia positiva mostraram que a gratidão e a entrega é um dos caminhos que conduzem à felicidade. Não é sobre dar com intuito de receber algo, mas dar motivado pelo prazer que sente ao ajudar alguém.

10. Se você pode apreciar o milagre que mantém uma única flor, toda sua vida vai mudar.

Nesta frase budista o segredo da mudança está fechado: aprender a valorizar cada coisa e cada pessoa por aquilo que ele é: um milagre único e irrepetível. Quando aprendemos a não criticar, mas aceitar e se maravilhar com as menores coisas que nos rodeiam, nossa vida vai mudar porque estamos deixando aberta a gratidão, a curiosidade e a alegria. Pelo contrário, se pensarmos não há nada de especial sobre as pequenas coisas e estamos no topo do mundo, não apenas estamos fechando a beleza, mas também para a aprendizagem e crescimento. Se você não pode apreciar o milagre que envolve uma flor, é que você está morrendo por dentro.

INDIA TENTA PLANTAR CINQUENTA MILHÕES DE ÁRVORES EM APENAS 24 HORAS

Floresta india

A Índia tentou, no início da semana, um feito digno do livro do Guinness, ao cultivar o maior número de sementes de árvores durante um período de 24 horas. Ao lançar para a terra 50 milhões de plantas, a região indiana de Uttar Pradesh, superou o recorde do Paquistão, de 847,275 árvores, estabelecido no ano de 2013.

Em declarações à Associated Press, o chefe de Estado, Akhilesh Yadav, afirma: “O mundo está a aperceber-se que são necessários sérios esforços para reduzir as emissões de carbono, e assim minimizar os efeitos nas alterações climáticas a nível mundial. Uttar Pradesh está a dar o primeiro passo nesse sentido.”

Às mais de 800 mil pessoas que se juntaram na região, foram distribuídas milhões de amostras para serem plantadas em locais específicos, como estradas, caminhos-de-ferro e áreas florestais.

Em Dezembro passado, na convenção de Paris, o governo indiano prometeu fazer a sua parte no acordo e aumentar a sua área florestal para os 95 milhões de hectares até 2030. As autoridades indianas destinaram já 6,2 mil milhões de dólares para o efeito e, estão também a incentivar as restantes regiões a juntarem-se a Uttar Pradesh nesta reflorestação do país.

A monitorização das árvores agora plantadas será feita por análise de fotografias aéreas, sendo possível concluir quantas amostras sobreviveram e estão a crescer. Em média, apenas 60 por cento das amostras sobrevive, com as restantes a sucumbir às doenças e à falta de água.

Os dados mais recentes, publicados em 2013 pela Forest Survey of India, indicam que a região de Uttar Pradesh, uma das mais populosas do país, tem uma área florestal de 5,96%, com os números a nível nacional ficarem na casa dos 21,23%.

Com o objectivo de dar continuidade à luta contra as alterações climáticas, o governo indiano quer aumentar o espaço de área florestal para os 33%, recuperando com esta meta 2,5 mil milhões de toneladas de carbono.

Foto: Rajesh Joshi / Creative Commons 

http://greensavers.sapo.pt/2016/07/16/india-tenta-plantar-cinquenta…

21 KIALOJ POR ESTI VEGETARANA

21 Kialoj por esti vegetarana

21 Motivos Para Ser Vegetariano

Vegetarismo estas la tendenco kiu plej multe kreskas en la evoluita mondo. Jen la 21 kialoj kial vi devas pensi ankau deveni vegetarano:

O vegetarianismo é a tendência que mais cresce no mundo desenvolvido. Eis 21 motivos porque você deve pensar em virar vegetariano também:

1 – Eviti viandon estas unu el la plej bonaj kaj la plej simplaj manieroj por halti la konsumado de grasoj. Moderna bredado de bestoj kauzas, artefarite, la dikigho por gajni pli da profitoj. Konsumado de besta graso pliigas viajn shancojn havi koratako ou disvolvigho de kancero.

1- Evitar carne é um dos melhores e mais simples caminhos para cortar a ingestão de gorduras. A criação moderna de animais provoca artificialmente a engorda para obter mais lucros. Ingerir gordura animal aumenta suas chances de ter um ataque cardíaco ou desenvolver câncer.

2 – Chiminute, chiuj tagoj de la semajno, miloj da bestoj estas murditaj che buchejoj. Multaj el ili sangaj vivantaj ghis la morto. Doloro kaj sufero estas kutimaj. Nur en Usono, 500.000 (duonmiliono) da bestoj estas murditaj chiu horo!

2- A cada minuto todos os dias da semana, milhares de animais são assassinados em abatedouros. Muitos sangram vivos até morrer. Dor e sofrimento são comuns. Só nos EUA, 500.000 (meio milhão)  de animais são mortos a cada hora!

3 – Chiu jaro, milionoj de kazoj de venenado pro manghagho estas raportitaj. La plejparto estas kauzita de konsumado de viando.

3- Há milhões de casos de envenenamento por comida relatados a cada ano. A vasta maioria é causada pela ingestão de carne.

4 – Viando ne havas absolute nenio de proteinoj, vitaminoj au mineraloj kiujn la homa korpo ne povas havigi perfekte el unu vegetarana dieto.

4- A carne não contém absolutamente nada de proteínas, vitaminas ou minerais que o corpo humano não possa obter perfeitamente de uma dieta vegetariana.  

5 – La afrikaj landoj – kie milionoj mortas pro malsato – eksportas grenojn al la unua mondo por dikigi bestojn kiuj finfine estos alportitaj sur la tablo de ricaj landoj.

5- Os países africanos – onde milhões morrem de fome – exportam grãos para o primeiro mundo para engordar animais que vão parar na mesa de jantar das nações ricas.

6 – “Viando” povas inkluzivi voston, kapon, piedojn, rektumon kaj la vertebran kolumnon de iu besto.

6- “Carne” pode incluir rabo, cabeça, pés, reto e a coluna vertebral de um animal.

7 – Unu kolbaso povas havi pecojn de intesto. Kiel unu persono povas esti certa ke la intestoj estis malplenaj kiam uzitaj? Chu vi vere volas manghi la enhavon de la intesto de unu porko?

7- Uma salsicha pode conter pedaços de intestino. Como alguém pode estar certo que os intestinos estavam vazios quando utilizados? Você realmente quer comer o conteúdo do intestino de um porco?  

8 – Se ni manghu la plantojn kiuj ni kreskas, anstatau nutri bestoj por buchado, la monda manko de nutrajhoj malaperos en unu tago. Memoru ke 100 akreoj de lando produktas viandon sufichan por nutri 20 personoj, grenojn sufichajn por nutri 240 personoj!

8- Se comêssemos as plantas que cultivamos ao invés de alimentar animais para corte, o déficit mundial de alimentos desapareceria da noite para o dia. Lembre-se que 100 acres de terra produz carne suficiente para 20 pessoas, grãos suficientes para alimentar 240 pessoas!

9 – Chiutage dekoj de milionoj de etaj kokidetoj nur 1 tagaghaj estas murditaj nur char ili ne povas kushi ovojn. Ne estas reguloj por difini kiel la mordo okazas.

9- Todos os dias dezenas de milhões de pintinhos de apenas 1 dia de vida são mortos apenas por que não podem botar ovos. Não há regras para determinar como ocorre a matança. Alguns são moídos vivos ou sufocados até a morte. Muitos são utilizados como fertilizantes ou como ração para alimentar outros animais.

10 – La bestoj kiuj mortas por via vespermangha tablo mortas sole, en paniko kaj teruro, en profunda depresio kaj sub forta doloro. La mortigo estas senkompata kaj malhumana.

10- Os animais que morrem para a sua mesa de jantar morrem sozinhos, em pânico e terror, em profunda depressão e em meio a grande dor. A matança é impiedosa e desumana.

11 – Pli facile estas resti eleganta kiam iu estas vegetarana.

11- É muito mais fácil ser e manter-se elegante quando se é vegetariano.

12 – Duono de la tropikaj arbaroj estis detruitaj por prepari pashtejoj por levi brutojn por fari hamburgerojn. Cirkau 1000 specioj estas estingitaj jare kauze de la detruo de la tropikaj arbaroj.

12- Metade das florestas tropicais do mundo foram destruídas para fazer pasto para criar gado para fazer hambúrguer. Cerca de 1000 espécies são extintas por ano devido à destruição das florestas tropicais.

13 – Chiu jaro 400 tunoj de grenoj nutras bestoj breditaj por buchado – tiel la richuloj de la mondo povas manghi viandon. Samtempe, 500 milionoj da personoj en landaj malrichaj mortas je malsato. Dum chiuj 6 sekundoj iu mortas kauze de malsato char personoj en la okcidentaj landoj estas manghantaj viandon. Cirkau 60 milionoj da personoj mortas kauze de malsato, jare. Chiuj tiuj vivoj povu esti shparitaj, char tiuj personoj povu esti manghantaj la grenoj uzitaj por nutri la bestojn kiujn estu buchitaj, se la usonanoj manghu 10% malpli da viando.

13- Todos os anos 400 toneladas de grãos alimentam animais de corte – assim os ricos do mundo podem comer carne. Ao mesmo tempo, 500 milhões de pessoas nos países pobres morrem de fome. A cada 6 segundos alguém morre de fome por que pessoas no Ocidente estão comendo carne. Cerca de 60 milhões de pessoas morrem de fome por ano. Todas essas vidas poderiam ser salvas, porque estas pessoas poderiam estar comendo os grãos usados para alimentar animais de corte se os norte-americanos comessem 10% a menos de carne.

14 – La rezervoj de fresha akvo de la mondo estas malpurigitaj pere de la bredado de bovoj cele al buchado. Kaj la produktantoj de viando estas la plej fortaj poluantoj de la akvoj. Se la industrio de viando en Usono ne estu monhelpata en ghia grandega konsumo de akvo per la regstaro, kelkaj gramoj de hamburgero kostos US$ 35.

14- As reservas de água fresca do mundo estão sendo contaminadas pela criação de gado de corte. E os produtores de carne são os maiores poluidores das águas. Se a indústria de carne no EUA não fosse subsidiada em seu enorme consumo de água pelo governo, algumas gramas de hambúrguer custariam US$ 35.

15 – Se vi manghas viandon, vi ingestas hormonojn kiuj estis donitaj al animaloj. Neniu scias la efektoj ke tiuj hormonoj kauzas al la sano. En kelkaj provoj, unu el chiuj 4 hamburgeroj havis hormonojn de kreskado originale donitaj al bovoj.

15- Se você come carne, está consumindo hormônios que foram administrados aos animais. Ninguém sabe os efeitos que estes hormônios causam à saúde. Em alguns testes, um em cada 4 hambúrgueres contém hormônios de crescimento originalmente administrados ao gado.

16 – La jenaj malsanoj estas kutimaj en viand-maghantoj: anemioj, apendicito, artrito, mamkancero, dupunkta kancero, kancero de prostato, bloko de ventro, diabeto, shtonoj en veziketo, podagro, alta sangpremo, stomaka malfunkcio, obezeco, varikoj. La vegetaranoj, de longe, visitas hospitalojn 22% malpli ol karno-manghuloj kaj dum mallonga tempo. Vegetaranoj havas 20% malpli kolesterolo ol la karno-manghuloj kaj tio malhelpas multe reduktas koratakoj kaj kancero.

16- As seguintes doenças são comuns em comedores de  carne: anemias, apendicite, artrite, câncer de mama, câncer de cólon,  câncer de próstata, prisão de ventre, diabetes, pedras na vesícula, gota, pressão alta, indigestão, obesidade, varizes. Vegetarianos há longo tempo visitam hospitais 22% menos que carnívoros e por pouco tempo. Vegetarianos têm 20% menos colesterol que carnívoros  e isso reduz consideravelmente ataques cardíacos e câncer .

17 – Kelkaj produktantoj uzas trankviligilojn por konservi la animalojn trankvilajn. Ili uzas antibiotikoj por eviti au batali kontrau infektoj. Kiam vi manghas viandon, vi ingestas tiujn drogojn. En Usono 55% de chiuj antibiotikoj estas donataj al la bestoj de buchado, kaj la procento de infektoj por bakterioj imunaj al penicilino kreskis de 13% en 1960 ghis 91% en 1998.

17- Alguns produtores usam calmantes para manter os animais calmos. Usam antibióticos para evitar ou combater infecções. Quando você come carne, está ingerindo estas drogas. Na América do Norte 55% de todos os antibióticos são dados a animais de corte, e a porcentagem de infecções por bactérias resistentes a penicilina avançou de 13% em 1960 para 91% em 1998.

18 – Dum sia viv-periodo, unu karno-manghulo averagha konsumos 36 porkojn, 36 shafojn kaj 750 kokidojn kaj meleagrojn. Chu vi volas tiel da masakro en via konscio!?

18- Num período de vida um comedor de carne médio terá consumido 36 porcos, 36 ovelhas e 750 galinhas e perus. Você deseja tanta carnificina em sua consciência!?

 

19 – La bestoj suferas doloro kaj timo, kiel ni. Ili vivas la lastaj horoj de ilia vivo malliberigitaj ene de unu kamiono, fermitaj kune kun centoj de aliaj bestoj, same timigitaj, kaj poste ili estas pushitaj al unu koridoro de la morto, plenigita de sango. Tiu kiu manghas viandon apogas la maniero kiel la bestoj estas traktitaj.

19- Os animais sofrem dor e medo como nós. Passam as últimas horas de sua vida trancados em um caminhão, encerrados com centenas de outros animais, igualmente apavorados, e depois são empurrados para um corredor da morte ensopado de sangue. Quem come carne sustenta o modo como os animais são tratados.

20 – Bestoj unu jaragha estas ofte multe pli raciaj – kaj povas logike pense pli bone – ol homaj beboj 6 semajnaghaj. Porkoj kaj shafoj estas multe pli inteligentaj ol infanetoj. Manghi tiujn bestojn estas barbara ago.

20- Animais com um ano de vida são frequentemente muito mais racionais – e capazes de pensamento lógico  do que bebês humanos de 6 semanas. Porcos e ovelhas são muito mais inteligentes do que criancinhas. Comer esses animais é um ato bárbaro.

 

21 – Vegetaranoj estas pli kapablaj fizike ol la karno-manghantoj. Multaj el la plej sukcesaj atletoj en la mondo estas vegetaranoj.

21- Vegetarianos são mais aptos fisicamente do que comedores de carne. Muitos dos mais bem-sucedidos atletas do mundo são vegetarianos.

 

FONTO/FONTE: http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=392&Itemid=103

 

 

 

 

 

Brasil profundo, Parque Nacional do Xingu

Posted by on 01/07/2016

xinguBrasil profundo, Parque Nacional do Xingu completou 55 anos

Aos 55 anos, completados em abril deste ano, o Parque Indígena do Xingu é resultado complexo da epopeia do indigenismo brasileiro. O que o Brasil tem a aprender com esse parque indígena do tamanho da Bélgica, criado em 1961 por pressão dos irmãos Villas Bôas: combater epidemias, preservar a natureza, praticar medicina humanizada e respeitar diferenças são lições que os índios do Xingu têm a nos passar.

Edição e imagens:  Thoth3126@protonmail.ch

Aos 55 anos, completados em abril deste ano, o Parque Indígena do Xingu é resultado complexo da epopeia do indigenismo brasileiro

Fonte: http://www.revistaplaneta.com.br/brasil-profundo/

http://www.revistaplaneta.com.br/xingu-55-anos/

Texto: Camilo Gomide – Renata Valério de Mesquita

Em 14 de abril de 1961, o Brasil dava um importante passo para sua preservação socioambiental. Nessa data foi criado o Parque Nacional do Xingu, um “polígono irregular com área aproximada de 22 mil quilômetros quadrados”, reza o documento. A demarcação dessas terras freou o avanço da exploração irresponsável na Amazônia brasileira e garantiu a sobrevivência e a autonomia de povos indígenas circunscritos naquele espaço e em suas vizinhanças.

Do Brasil colônia até meados do século 20, difundia-se a ideia de que o país era uma terra sem dono a ser explorada e conquistada. Seguindo esse mote, as incursões bandeirantes e da Igreja católica ao interior tratavam os índios como seres não civilizados, que deveriam ser dominados, convertidos ou escravizados.

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Ao mesmo tempo, havia em muitas dessas expedições interesses científicos. Datam dessa época as primeiras catalogações da fauna e da flora brasileiras e a descoberta de diversos grupos indígenas. Nas primeiras décadas do século 20, o projeto desenvolvimentista mudava lentamente a forma como o Brasil Central era explorado. A intenção do Estado nesse momento era ocupar todo o país para, depois, integrá-lo.

Apesar do avanço irresponsável e da ameaça constante aos territórios e povos indígenas, surgia uma nova mentalidade. “Morrer se preciso for, matar nunca”, lema do marechal Cândido Rondon, anunciava uma visão humanitária da ação militar que culminaria nas políticas indigenistas em um futuro próximo.

Em 1943, Getúlio Vargas criou a Fundação Brasil Central (FBC), cujo objetivo era concluir o projeto de integração nacional, criando bases, abrindo estradas e pistas de pouso que ligassem o Rio de Janeiro – então capital nacional – ao centro do país e a Manaus. Era a Marcha para o Oeste, cuja principal frente de ação era a Expedição Roncador-Xingu. Entre os principais líderes dessa empreitada estavam os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas, figuras fundamentais no contato com os índios e no desenvolvimento de programas de proteção aos povos xinguanos.

Filhos de um advogado de Santa Cruz do Rio Pardo (SP), os Villas Bôas inicialmente foram recusados na expedição por ter “alto nível de conhecimento” (a preferência era por sertanejos sem cultura, considerados mais trabalhadores). Eles só foram aceitos ao apresentar-se mal vestidos, com barba por fazer e fingindo ser analfabetos. A trapaça funcionou e, em 1945, os irmãos já estavam no comando da Roncador-Xingu.

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Para reverter os impactos que a exploração da região trazia aos índios, os Villas Bôas se aproximaram de universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo e de líderes progressistas. Essa coalizão defendia a demarcação de uma área exclusiva aos povos nativos, o que esbarrou nos interesses de vários setores econômicos – inclusive os do Estado, dono das terras. Em 1953, começou a tramitar o projeto de lei que criava o Parque do Xingu: uma área de reserva de 20,575 milhões de hectares. Enquanto o projeto empacava, o governo de Mato Grosso loteava seu território, boa parte dele prevista como área indígena.

Essa situação se arrastou até 14 de abril de 1961, quando, no governo de Jânio Quadros, aprovou-se a criação do Parque Nacional do Xingu, com área dez vezes menor do que a prevista de início. Orlando Villas Bôas foi seu primeiro administrador.

Ao longo dos anos, uma série de mudanças redesenhou a reserva. Apenas em 1968, com o decreto federal nº 63.082, os limites do parque foram oficialmente fixados. Três anos depois, outro decreto excluiu a parte norte, território caiapó, cortado pela rodovia BR-80. Em 1984, os caiapós retomaram legalmente a posse dessa terra, denominada agora de Capoto-Jarina.

Em 1967, o parque passou a ser administrado pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Em 1978, recebeu oficialmente o nome de Parque Indígena do Xingu. Somente em 1991 ele teve sua demarcação como terra indígena homologada por decreto federal – o primeiro caso do gênero no país.

Em todos estes anos, os índios que ali habitam sofreram com o avanço do Estado e do capital. Mas criaram um espaço de resistência. “Há cerca de 400 anos, um complexo cultural de tribos de falas diferentes se uniu ali e conseguiu criar um clima de paz. Criaram rituais comuns, adaptaram seu mito de origem, criaram casamentos intertribais (gerando poliglotismo), em vez de ficar se matando”, diz o antropólogo Mercio Gomes, ex-presidente da Funai. Para ele, o Parque Indígena do Xingu é “uma epopeia maravilhosa do indigenismo brasileiro”.

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Parque Nacional do Xingu – 55 anos

Em meio a catástrofes ambientais causadas pela ação do homem, do aumento escandaloso de doen­ças físicas e mentais nos centros urbanos e da intolerância às diferenças sociais, religiosas e culturais, sobressai das entranhas do Brasil um modelo saudável de harmonia entre homens e natureza: o Parque Indígena do Xingu (PIX), criado há 55 anos pela atuação visionária dos irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas Bôas.

Essa experiência nacional, que oferece lições de respeito e resiliência para os problemas enfrentados pelo dito mundo civilizado, é uma prova de que a ideia do índio como ser primitivo está superada. “Todo o contrário, eles têm culturas riquíssimas e conhecimentos interessantíssimos de tecnologia leve – de clima, solo, espécies, plantas, de subsistência”, destaca Douglas Rodrigues, médico integrante há 15 anos da equipe do Projeto Xingu, uma iniciativa da Escola Paulista de Medicina (hoje Unifesp) instalada no parque desde 1965. “Só para começar, eles transformaram a mandioca, cheia de cianeto, em um produto comestível.”

Conheça aqui exemplos emblemáticos do que os povos autóctones, em parceria com o “homem branco”, têm a nos ensinar.

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1 – Controle de epidemias

Apesar de ser uma doença endêmica da Amazônia, a malária se tornou a principal ameaça aos xinguanos durante epidemias causadas por mineradores que cruzavam o parque, nos anos 1980. Mas, nesse caso, o problema só foi de fato controlado quando os brancos se apoiaram nos índios. “É praticamente impossível acabar com os mosquitos em áreas urbanas, e menos ainda em uma floresta”, afirma Rodrigues. “Por isso, focamos o combate nas pessoas infectadas, que são os grandes reservatórios da doença. O mosquito-prego ou anofeles não tem malária, são as pessoas que têm, e os mosquitos se alimentam delas. Quanto mais tempo um doente ficar circulando, mais doença vai espalhar.”

Na segunda metade dos anos 1980, o Projeto Xingu formou os primeiros agentes indígenas de saúde do Brasil. Índios de diferentes pontos da reserva, sobretudo os localizados nas portas de entrada da doença, aprenderam a fazer diagnóstico por meio de lâminas analisadas em microscópio e a aplicar o tratamento recomendado em cada caso. Paralelamente, foi adotada a nebulização (“fumacê”) nas aldeias e em locais de trânsito, como beiras de rios e roças, e a equipe do Projeto manteve a supervisão dos agentes e a vigilância de focos por rádio.

Com tais medidas, a malária já estava controlada em 1990 e nunca mais se registrou morte por essa doença no parque. “Diagnóstico e tratamento precoce são sempre a estratégia mais indicada para toda doença infectocontagiosa por transmissor ou por homem a homem”, conclui Rodrigues. O sucesso obtido pode inspirar o país neste momento de proliferação dos casos de dengue, zika e chikungunya.

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2 – Preservação da natureza

Enquanto os 26 mil km2 do Parque do Xingu permanecem nas mesmas condições de 55 anos atrás, sucessivas degradações vêm marcando seu entorno. Primeiramente, o entorno do parque sofreu com a derrubada da floresta por madeireiros; depois, a maior parte dos campos desmatados passou a ser ocupada pela pecuária extensiva, ao mesmo tempo que outras áreas foram tomadas pelo garimpo.

Nos últimos 15 anos, cada vez mais plantações de soja e cidades em crescimento cercam o parque. Em 1980, havia apenas três municípios na região; hoje, são dez. Os índios chamam essa situação de “abraço de morte”, porque os problemas ambientais sofridos no parque vêm de fora. Assoreamento do leito dos rios, contaminação das águas por mercúrio e agroquímicos (que também chegam via aérea), invasão de porcos selvagens que destroem os cultivos de subsistência, além das mudanças nos marcadores do tempo que permitiam aos índios saber quando choveria e, portanto, quando era hora de abrir as roças e de plantar.

Já de dentro para fora, a mata preservada segue prestando os chamados “serviços sistêmicos” ou “serviços ambientais”. Ou seja, a natureza continua a contribuir para o equilíbrio do clima e o bem-estar das pessoas, seja na forma de umidade do ar que leva chuva pelo Brasil afora, na oferta de frutos, na manutenção da biodiversidade, da polinização, da absorção de carbono, entre tantos outros. “Sabemos que, sem a umidade que vem da Amazônia, o clima do Sudeste e do Sul se desregula, e essas mudanças são irreversíveis”, alerta Mércio Gomes, antropólogo e presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) entre 2003 e 2007. “Já perdemos 15% da Amazônia, vamos parar aí para evitar um desastre maior.”

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3 – Respeito às diferenças culturais

Maior reserva em área do Brasil, o Parque do Xingu é também a mais multicultural. Em seu território convivem pacificamente 6 mil indivíduos de 16 etnias diferentes e cinco grupos linguísticos. O clima harmônico, definido como pax xinguana pelo antropólogo Eduardo Galvão, só pôde ser preservado até hoje graças à existência do parque. As tribos da região do Xingu têm rituais intertribais (como cerimônias para os mortos, quarup; encontros para troca de bens, moitará; e competições de luta, huka-huka), adaptaram seus mitos de origem para um mito comum e criaram casamentos intertribais, por exemplo.

De famílias formadas por integrantes de diferentes tribos nascem índios poliglotas, que desde crianças falam quatro ou cinco línguas. “Eles desenvolveram mecanismos de convívio por séculos e se transformaram em diplomatas fantásticos, que substituem o conflito pela negociação, pela conversa, pelo ritual”, diz o antropólogo George Zarur. “Os irmãos Villas Bôas propuseram proteger os índios sem se envolver demais com a vida deles. Sem querer ensiná-los. Porque nós é que temos de aprender deles sobre a felicidade de viver em grupo, sobre o saber viver em comunidade com respeito ao indivíduo”, afirma Zarur.

O advogado e professor Orlando Villas Bôas Filho reforça o coro. “O Xingu é uma lição contra o etnocentrismo. Querer que o indígena se adapte à forma de produção ocidental, que cria excedentes e acumula bens, é o mesmo que o Estado Islâmico querer que todos vivam como ele.” A imagem de um Brasil multicultural – que o país sempre procura vender – se deve muito à experiência do Xingu, ressalta Villas Bôas Filho.

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4 – Resgate da medicina humanizada

Profundo conhecedor de “medicamentos naturais” obtidos de plantas, substâncias animais e minerais, detentor único de técnicas de massagem e imersões para cura, o pajé tem muito mais a ensinar aos médicos do mundo ocidental do que técnicas desse tipo. Para Douglas Rodrigues, o trabalho da Unifesp junto aos indígenas do parque fez com que os médicos e residentes resgatassem a medicina humanizada exercida pelo pajé.

“Um pajé não dá uma olhada em você, escreve uma recomendação no papelzinho e o despacha. Ele abraça a causa do paciente e o acompanha até sua melhora”, afirma. “Essa boa prática médica vem se perdendo pela massificação da medicina, pelo espaço maior da tecnologia nessa área.” Na experiência de Rodrigues, a principal raiz que ele aprendeu a usar com o pajé foi a raiz do problema de saúde do paciente. “O pajé cava até encontrar a causa da enfermidade do paciente na família e na comunidade da pessoa.”

5 – Autonomia e autodeterminação

O Xingu também entrou para a história como a primeira reserva indígena do país a ser dirigida pelos próprios índios. A transição foi possibilitada, como quase tudo conquistado pelo parque, pela atuação visionária dos irmãos Orlando e Cláudio Villas Bôas, que sempre viram nos indígenas indivíduos muito capazes de aprender, interagir e cuidar das próprias vidas. Meio século depois, os xinguanos provam diariamente sua autonomia e autodeterminação. Com a perda progressiva de relevância e poder da Funai, eles não perderam tempo reclamando da vida. Várias aldeias e etnias se organizaram em associações que desenvolvem projetos e levantam recursos para resolver questões internas e externas.

Os índios também atuam de modo cada vez mais organizado e duro na defesa e segurança do seu território. “Quem entra sem permissão termina apreendido, com trator e tudo, se for o caso”, conta Paulo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu do Instituto Socioambiental (ISA). Com uma equipe de 50 integrantes, a ONG trabalha no Parque dando assessoria para questões burocráticas, como o trabalho de vigilância e de geração de renda. Afinal, os índios incorporaram no seu dia a dia bens de consumo ao longo dos anos de contato com o branco, e hoje querem dinheiro para comprar roupas, sabão em pó, panela, barco (que precisa de manutenção e combustível), etc.

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“O eixo principal é os índios tomarem conta do parque, criando contraponto ao assédio que sofrem do mundo externo para exercer atividades não sustentáveis, como venda de peixes, madeira e areia”, diz Junqueira. Como resultado desse trabalho, os xinguanos comercializam hoje diferentes tipos de pimenta, mel de abelha e sementes florestais. Desde 2007 já foram vendidas 150 toneladas de sementes, empregadas no reflorestamento de matas ao longo dos rios que formam a bacia do Xingu.

Mas as principais investidas contra a identidade dos índios e a integridade do parque vêm na forma de propostas de grandes projetos de hidrelétricas e de leis que preveem mineração nas reservas e a demarcação de terras indígenas (a famosa PEC 215) sem laudo da Funai, apenas com a aprovação do Congresso Nacional. Os índios do Xingu atuam intensamente para manter seus direitos, mas disso depende que o branco entenda as várias contribuições – entre as quais as descritas nesta reportagem – que eles têm a dar à sociedade atual.

A Visão indígena

Sapaim Kamayurá nasceu com outro nome, mas, ainda novo, adotou o apelido de “pequeno” (sapaim), dado por Orlando Villas Bôas, por ser o menor entre os garotos da mesma idade. Ele também nasceu um índio comum no Parque Indígena do Xingu, mas na adolescência foi escolhido pelos espíritos da floresta, os Mamaés, para ser pajé. Foi por meio de sonhos que recebeu a notícia e depois passou pela provação de sobreviver à causa – ficou profundamente doente, mas resistiu e “renasceu” para ser pajé, como é costume acontecer entre os indígenas.

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Os pajés escolhidos pelos espíritos têm mais expressão na tribo do que aqueles que desejam ocupar essa posição e pedem para ser treinados por outros. “Já fiquei dois anos, três anos sem sair da minha oca, quando Mamaé me preparou para ser pajé”, conta Sapaim Kamayurá. Assim ele aprendeu sobre todas as plantas e procedimentos.

Chefe mais alto da aldeia depois do cacique, o pajé lida com os espíritos causadores das doenças dos índios, mas reconhece que as doenças de brancos são causadas por outros espíritos, que devem ser tratados pelos brancos. Sapaim estava em um hospital do Rio de Janeiro quando conversou com PLANETA. “Cheguei aqui, dormi, e ontem, dormi de novo. É primeira vez que estou hospital, tratamento urinário. Quando sair, vou comprar passagem para Xingu. Voltar para quarup. A gente vai homenagear morto ano passado. Cada aldeia está animada”, explica, em seu português peculiar, sobre sua situação de saúde e a festa.

Sapaim já tinha estado antes no Rio por bastante tempo para cuidar de quem está fora do parque. Nessas ocasiões também deu entrevistas para jornais e revistas e participou de programas de TV, divulgando seu trabalho e as crenças do seu povo. “Sou médico da tribo, maior curandeiro. Estava no Rio para fazer pajelança, cura e reza”. Mas ele não recomenda a vida na cidade para os conterrâneos. “A vida no parque é muito diferente, outra energia, energia boa. Na cidade muda cabeça, índio vai usar cabeça do branco. Não é bom para rapaziada. Depois ele não vai querer pintar, não vai querer dançar, tudo isso. É comum acontecer quando pessoa vai muito para cidade.”

Para ele, dentro do parque os xinguanos mantêm a vida de sempre. “Não mudou nada. A gente usa mais nossa cultura mesmo, nossa tradição, nossa dança, nossa língua. A gente reza para não acabar nossa cultura, nossa tradição. Nossa reza é muito forte.”


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