COMER CARNE, UMA FORMA DE VIOLÊNCIA?

A situação dos animais de consumo nos convida ao vegetarianismo, ou, no mínimo, a uma reflexão sobre nossos hábitos carnívoros.

Se remontarmos, por exemplo, à época de Jesus, o sacrifício de animais era uma desculpa para os homens ingerirem carne e Jesus contestou o sacrifício de animais a cada passo. Proibiu a venda de animais para sacrifício e o consumo no templo, instituiu o batismo em lugar do sacrificio dizendo que Deus “requeria piedade, não sacrifício” e eliminou completamente o sacrifício de animais na Última Ceia (refeição vegetariana da Páscoa).

Pense um pouco: se você mata ou colabora na morte dos seres pagando a outros para que matem por você, implicitamente está apoiando uma forma de violência. Por consequência, todas as outras violências ficam mais fáceis.

Há pessoas que dizem: já que está morto, então vou comer…de qualquer forma ela passou a apoiar os que mataram e toda a estrutura que vive dessa violência. Há ainda os que acham que esses animais foram criados para isso e que, portanto, tal fato legitima a violência de sua morte, ora, tal argumento serviria para qualquer morte. Se assim o fosse, poderíamos criar seres humanos para o sacrifício e seriam mortes justificáveis.

A raiz desse pensamento é a ideia de que nós homens somos proprietários dos outros seres.

Em realidade, todos os seres estão conosco no mesmo lugar, a Terra. À medida em que o homem ganhou consciência, não cabe mais no simples papel de predador. Ele se encaminha para ser algo muito maior e essa é a razão da mudança de suas atitudes em evolução.

A natureza da carne

Analisemos juntos a natureza da carne – a carne é um alimento morto, em geral há muitos dias, quando chega aos balcões dos frigoríficos dos supermercados. Na maioria dos casos, são acrescentados conservantes (um eufemismo para os produtos químicos que matam os micro-organismos que, do contrário, desenvolver-se-iam na superfície da carne morta) e corantes (para disfarçar a cor marrom que a carne assume quando começa a se deteriorar).

Além disso, a energia vital abandona o organismo no momento da morte, deixando para trás apenas substâncias químicas inertes.

A Ciência médica ocidental sabe há muito tempo que comer carne provoca um aumento drástico de substâncias químicas tóxicas na corrente sanguínea humana. Pacientes com graves distúrbios renais rotineiramente são postos sob dieta isenta de carnes. (Os rins são mecanismos purificadores do sangue que filtram os venenos nele presentes.)

A ansiedade e a carne

Ao deixar as granjas e fazendas, as vacas, ovelhas e porcos são transportados até o matadouro para serem abatidos. O animal é subitamente arrancado do ambiente familiar onde passou toda a sua vida, empurrado para compartimentos escuros e superlotados, onde terá de permanecer por horas a fio, é exposto a vibrações irritantes, súbitas partidas e paradas, mudanças radicais de temperatura e sons perturbadores. Então, chegando ao destino, homens armados com agulhões elétricos descarregam o animal e o levam através de um atordoante labirinto de rampas, escorregadores e banhos químicos. Finalmente, o animal chega ao matadouro propriamente dito, que está impregnado do cheiro de sangue e do grito de centenas de animais aterrorizados.

Quando o gado chega à “central de empacotamento”, nome dado pela indústria aos matadouros, visando retirar a imagem de um local de matança, os animais são colocados numa área de espera, onde ficam por algumas horas sendo enfileirados para a entrada no prédio do abate. Nesse momento, pode-se ouvir o nervosismo dos animais que ficam mugindo freneticamente, pois já antecipam o que lhes acontecerá. Um funcionário começa a conduzi-los através de uma porta de aço com o auxílio de uma vara de eletrochoque. Ao entrar no matadouro, o animal pode cheirar, ver o sangue e os pedaços em diversos estágios de corte dos animais que o antecederam. Há verdadeiro pânico e ele tenta fugir dando saltos, o que é inútil, pois está totalmente cercado por chapas de aço.

A inconsciência pré-abate é feita com pistola pneumática que dispara uma vareta metálica no crânio do animal, perfurando-o dolorosamente até o cérebro e desacordando-o para o passo seguinte. Esse disparo, devido à agitação do animal, nem sempre é certeiro e, frequentemente, atinge o olho ou resvala na cabeça do animal, gerando ainda mais sofrimento. Em matadouros de pequeno porte, o método usado é através de um martelo específico que golpeia a cabeça do animal,quebrando seu crânio (essa técnica é também usada em vitelas, pois os ossos do crânio dos filhotes são mais macios). Nem sempre o martelo acerta com precisão a região que causa a inconsciência, podendo rasgar os olhos ou o nariz. Após esse momento, o animal é dependurado pela pata traseira, em uma corrente, ficando de cabeça para baixo. Como o animal adulto é pesado, há a ruptura dos tendões da coxa e ele tem a carne rasgada pelo próprio peso. Nos casos de abate ritual, os matadouros de grande porte – onde a velocidade de produção não permite uma verificação da inconsciência do animal – muitas vítimas recobram a consciência e gritam de dor nesse momento, quando feita uma abertura para esfola do couro. Feita a degola, o animal é baixado e começa o processo da esfola total e parte dos cortes de tetas, patas e línguas. Alguns animais ainda estão vivos nesse momento e há relatos da repugnância sentida em presenciar esse processo com o animal piscando os olhos.

Finalmente, o animal é arrastado em esteira onde ocorre o corte por serra elétrica em duas metades, na direção da coluna vertebral. A carcaça é então levada para a câmara de resfriamento e, posteriormente, para a seção de cortes em pedaços como os vistos em mercados e açougues. Investigadores e fiscais de matadouros relatam barbaridades realizadas nos animais pelos funcionários, que enfiam cabos de vassouras nos ânus dos animais ou furam propositalmente os olhos dos mais rebeldes…

Os estados fisiológicos

Os animais têm emoções, como pode verificar qualquer dono de um bichinho de estimação e experimentam o estado de medo e pânico produzido durante o processo de transporte e abate. Quais são os estados fisiológicos que acompanham essas emoções?

Em termos fisiológicos, o aparecimento de um forte estímulo de medo aciona uma complexa cadeia de eventos que começa no cérebro e acaba atingindo todas as células e fibras do organismo. As substâncias químicas que produzem essas reações no animal produzem as mesmas reações no ser humano.

O consumo regular da carne desses animais aumenta a presença dessas mesmas substâncias químicas no organismo humano, no qual produzem exatamente os mesmos resultados, embora em escala reduzida. O corpo da pessoa que come carne está sempre num estado de hiperexcitabilidade doentia, o que cria tensão e ansiedade crônicas e sentimentos de insegurança e confusão.

Com as substâncias químicas da excitação já presentes em excesso no organismo, a excitação natural é mascarada. A pessoa deixa de ser capaz de responder naturalmente às diferentes situações. O excesso de energia presente no organismo exige liberação – seja por meio do sexo, das drogas ou da violência sublimada da televisão, cinema ou imprensa. A pessoa simplesmente se torna perplexa, confusa e fora de contato com os verdadeiros sentimentos e impulsos interiores. A sutil e constante sensação de medo gerada pelas substâncias químicas cria o medo do “eu”, a repressão psicológica.

Em nenhuma outra época a carne esteve tão fartamente disponível. Com a crescente abundância trazida pela era da eletricidade e da refrigeração, surgiu um aumento correspondente de distúrbios cardíacos, câncer, morte prematura causada por uma infinidade de outras doenças. E também se deve notar que, antes da refrigeração, geralmente os animais cresciam no próprio local de abate e sua carne era consumida ainda fresca, exceto nas grandes áreas urbanas.

Na época em que os animais eram mortos na fazenda de criação, o nível de substâncias químicas relacionadas ao medo era bastante reduzido, porque não havia esse prolongado transtorno no seu modo de vida antes da morte.

FONTES: Revista Planeta – março de 2001, por Harish Johari

Jornal Vida Integral – julho de 2000

VeganBrasil homepage editada por ricardoneves@geocities.com

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”

Paul e Linda Mac Cartney

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