A ARTE DE BEBER URINA

Shivambu Kalpavidhi é uma parte de um tratado de Tantra conhecido como Damar Tantra. Nesse tratado Shiva (aqui falamos da pessoa que existiu e a quem se atribui a criação do Yoga) ensina a Parvati, sua companheira, a arte de beber a sua própria urina. Shivambu significa “água de Shiva” e Kalpavidhi a “arte perfeita”. Esta técnica ancestral é também conhecida como amaroli. Amara significa imortal, amaroli é a prática que conduz à imortalidade.

Claro que o assunto é um pouco tabu devido ao facto de a urina ser considerada impura, um excremento do nosso organismo. Começo por esclarecer este ponto, a urina é uma ultra-filtragem do sangue. A urina é uma substância viva. Este líquido está cheio de vida e contém importante energia vital.

A urina é composta por água (95%), ureia (2,5%) e o restante 2,5 % é uma combinação de minerais, sal, hormonas e enzimas. Só a ureia pode ser venenosa quando está presente no sangue em quantidades muito elevadas, o que não acontece só pelo facto de beber urina. Esta ureia tem também grandes poderes de purificação e é muito utilizada nos cosméticos.

Antes de nascer o feto encontra-se envolvido em líquido amniótico que é composto principalmente pela sua própria urina. Ele bebe esse líquido e depois urina-o. Respira-o e ao fazê-lo os pulmões crescem e desenvolvem-se. É essa urina que vai proporcionar um crescimento saudável em todos os aspectos.

Surge aquele comentário: “Mas se a urina sai do corpo é porque é tóxica, é porque está a mais!” A explicação pode-se dar com exemplos na natureza e em nós próprios. As folhas que caem das árvores por exemplo. Começam a decompor-se e os restos vão introduzindo-se lentamente no solo. Na estação seguinte a árvore se alimentará dessas mesmas substâncias. Também o suor que sai do nosso corpo em grande parte é reabsorvido pela pele.

Acreditamos que muitas substâncias que saem do nosso corpo são impuras, esquecendo que minutos antes faziam parte integrante dele. Muitas substâncias, como as vitaminas e enzimas, depois de realizarem as suas tarefas no corpo, saem deste sem se terem alterado. Portanto, podem tomar-se e voltar a tomar para que realizem o mesmo trabalho.

A função mais importante dos rins é a de equilibrar todos os elementos do sangue. Eliminam todas as substâncias vitais supérfluas que existem nele e filtram o excedente de água. Essa água e essas substâncias vitais formam a urina. O fígado desintoxica o sangue e segrega os produtos de dejecto para o trato intestinal.

A urina contém em si toda a informação do organismo. É uma óptima prática de auto-suficiência, de dependência de si mesmo. Ao beber urina o que faço é ingerir-me a mim mesmo.

A urina de cada um de nós contém substâncias pessoais e características próprias, proporcionando-nos a informação particular que o corpo necessita para realizar os processos curativos com grande eficácia. Tudo aquilo que necessitamos de saber está dentro de nós.

Substâncias individuais que se encontram na urina*

Substâncias inorgânicas: Bicarbonato, cloruro, fósforo, sulfuro, bromuro, fluoruro, ioduro, rodanina, kalio, natrio, cálcio, magnésio, ferro, cobre, zinco, cobalto, selénio, arsénio, plomo, mercúrio.

Substâncias que contêm nitrogénio: Nitrogénio (como totalidade), ureia, creatina, creatinina, guanidina, colina, carnitina, piperidina, espemidina, dopamina, adrenalina, noradrenalina, serotonina, triptamina, ácido aminolevulínico, porfirina, bilirrubina e outros.

Aminoácidos: Alanina, carnosina, glicina, histidina, leucina, lisina, metionina, fenilalanina, serina, tirosina, valina, hidroxiprolina, galactosilhidroxilina, xilosilserina e outros.

Proteínas: Albumina, haptoglobina, transferrina, IgG, IgA, IgM e outras.

Enzimas: Lactato deshidrogenasa, gamma-glutamiltransferasa, alfa-amilasa, uropepsinógeno, lisozima, beta-N-acetilglucosaminidasa, uroquinasa, proteasas e otras.

Carbohidratos: Arabinose, xilose, ribose, fucose, ramnose, quetopentose, glucose, galactose, manose, frutose, lactose, sacarose, fucosilglucose, rafinose e outros.

Substâncias livres de nitrogénio: Grande quantidade de ácidos orgânicos.

Vitaminas: Tiamina (vitamina B1), riboflavina (vitamina B2), vitamina B6, ácido 4-piridóxico, ácido nicotínico, vitamina B12, biopterina, ácido ascórbico e outras.

Hormonas: Gonadotropina, corticotropina, prolactina, hormonas lactogénicas, oxitocina, vasopresina, tiroxina, catecolaminas (adrenalina, noradrenalina, dopamina), insulina, eritropoietina, corticosteroides (aldosterona, corticosterona, cortisona), testosterona, progesterona, estrogéneos e outras.

*Dados retirados do livro “Guia completa de urinoterapia” de Coen van der Kroon. O livro que tenho está em espanhol, por isso as minhas desculpas pela eventual mal tradução de alguns nomes técnicos das substâncias atrás referidas.

O dano feito à humanidade com as modernas e potentes medicinas como as vacinas, a radiação e as cirurgias desnecessárias é, quiçá, muito maior que o dano resultante da bomba atómica. A urina é gratuita e está sempre à nossa disposição. Actua sobre as causas de um determinado desequilíbrio no organismo e não sobre os sintomas (que é o que faz a medicina convencional).

O choque que o feito de beber urina inicialmente produz na pessoa, pode colocar em questão ideias preconcebidas e como consequência liberar energias reprimidas.

A urina matinal tem um efeito bastante tranquilizante que se pode atribuir, segundo os científicos, a uma hormona chamada melatonina. Assim uma das principais razões, senão mesmo a principal, para os praticantes de Yoga fazerem esta prática é para ajudar em suas meditações. Podemos encontrar referências a esta prática em textos tão antigos e importantes como: o Hatha Yoga Pradipika, Bíblia, Rig Veda, entre outros.

Verso 9 (Śivambu Kalpa Vidhi)

“Śivambu é um néctar divino! É capaz de abolir a velhice e diversos tipos de doenças. O seguidor ingerirá primeiro a sua urina e depois iniciará a sua meditação.”

A melhor hora para beber a sua urina é pela manhã, ao acordar. É também interessante beber antes de dormir. Durante a noite o corpo relaxa e recupera completamente, assim produz-se um nível superior de descarga hormonal. A urina da manhã está mais carregada de substâncias vitais. Claro que podemos beber toda a urina que produzimos durante o dia. Para beber somente se deve utilizar urina fresca (acabada de colher), mas para aplicações externas deve-se utilizar urina de alguns dias, pelo menos quatro.

Recomenda-se aos praticantes do amaroli que não tomem medicamentos convencionais, que evitem a ingestão de álcool, tabaco, drogas e mesmo carnes. Podem interferir no processo, principalmente as medicinas químicas. Uma alimentação à base de alimentos vegetarianos e crus melhora substancialmente os efeitos curativos da própria urina e também o seu sabor e odor, que muitas vezes é forte. Não quer dizer que o consumo de certos produtos mais tóxicos impeça o uso do amaroli: só significa que porventura será menos eficaz.

É normal, depois de ter ingerido urina durante algum tempo (e esse tempo é absolutamente variável de acordo com cada individuo), que o corpo comece a desintoxicar-se. Daí podem surgir muitos sintomas, desde dores de cabeça a febre, dores no corpo, vómitos, etc. etc. Variam também de pessoa para pessoa e pode até dar-se o caso de não se sentir nada, ou somente passados anos. Em todo o caso é importante não auto-sugestionar-nos nem tão pouco ter medo. Esse processo de desintoxicação é fundamental para percebermos como estamos por dentro, é um óptimo momento para nos observarmos.

Com a ingestão da urina muita coisa pode acontecer: limpeza do corpo, leveza, cura de uma quantidade enorme de doenças (mesmo aquelas mais graves que estão a passar pela nossa cabeça neste momento), tranquilidade, harmonia, auto-superação, respeito pelo corpo, flexibilidade, paz, recuperação dos ritmos biológicos, aumento da intuição, etc.

Bom, ficam aqui algumas ideias sobre uma prática milenar mas que ainda é muito desconhecida para a maioria das pessoas. No entanto é utilizada por milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente em países onde a medicina natural é a escolhida. No meu caso pessoal é uma prática que venho fazendo nos últimos 6 anos e os resultados têm sido muito interessantes. Mais do que uma terapia eu considero o amaroli uma excelente prática de simbiose com os nossos corpos, uma forma de auto-conhecimento, de urinologia. Fica aqui o convite para experimentar ou pelo menos para conhecer mais uma técnica ancestral do Yoga.
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FONTE: http://shivambukalpavidhi.blogspot.com.br/

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